13.11.2015 / Crônicas

Quando a mãe que mora em você nasce, junto com seu filho, nós, completas desavisadas, passamos a entender bem mais sobre a verdade da vida. Mesmo que tenhamos conversado com as mães mais espetaculares e experientes, acompanhado os sites e lido os livros do gênero, não sabemos de nada. Ninguém comenta a parte desgastante da maternidade com a ênfase que exibe as gracinhas do filho no celular. Ela é tabu, não se pode macular algo tão divino. Se seu filho que começa a sair das fraldas não entende que tem que esperar horas num hospital por atendimento e você entende, mas comenta qu...[continuar lendo]

06.11.2015 / Crônicas

Quando as decepções da vida insistem em tomar conta como uma doença indomável, você levanta a cabeça e dá de cara com um canteiro com diversas flores. Nesses dias, nem os buquês vermelhos, as florezinhas brancas de miolo amarelo, azaleias roxas e orquídeas pendendo das árvores o tocam. As pedras portuguesas estão renovadas e limpas. Mas isso também não lhe parece nada demais. A praça tem uma criança feliz com seu pai, mas o balanço vazio é que chama a sua atenção. Dá vontade de ir nele, mas o parquinho é limitado até certa idade. Não importa que você seja pequeno, t...[continuar lendo]

02.11.2015 / Crônicas

Dia de Finados: como você vê a morte? Tem cinco crônicas que falam sobre o tema aqui no site (só escrever 'morte' na lupinha). Mas escolhi destacar essa aqui, 'Limites'....[continuar lendo]

30.10.2015 / Crônicas

O que eu quero hoje? Um pedaço de chuchu, uma maçã, um chá de água morna, gosto de nada. Mingau de aveia, pasta de dente sem flúor, xampu neutro, cortina fechada pra cortar a luz - não precisa ser breu. Hoje quero um edredom leve, lágrima escorrendo sem que eu perceba, um gole de água na temperatura ambiente. Não quero sobressaltos, nem voz alta. Não quero grito, discussão, nem dar opinião. Quero cheiro de banho tomado levemente quente e sem perfume. Carinho de mão de criança, sorriso calmo e alguém que me dê a mão. Quero aviso prévio, gratidão. Hoje n...[continuar lendo]

23.10.2015 / Crônicas

A vida passa tão depressa. O que vivemos hoje vivemos hoje. Nada volta. Quando falamos que viver o momento é importante, dificilmente ouvimos o que estamos dizendo, pois não temos a percepção exata disso. Viver o momento é uma confluência de fatores. Não são só aqueles minutos, aqueles dias, aquela fase. Por isso não volta. É aquela pessoa, naquele lugar, daquele tempo, daquela fase da vida. Não se consegue reproduzir jamais, pois é uma rede bem forte entrelaçada, que inclui momentos da vida de cada um, com disposição pessoal, interesse no assunto, disponibilidade, envolvim...[continuar lendo]

16.10.2015 / Crônicas

Saí sem banho. Meu compromisso era cedo e eu não precisava estar impecável no trabalho. Tomei banho ontem à noite, sou daquelas pessoas que engrossam as estatísticas de desperdício de água e tomo no mínimo dois banhos por dia. Adoro banho, mas tem horas que simplesmente na realidade não teríamos tempo para priorizar isso. Fique tranquilo. Embora eu tenha consciência ecológica, não virarei uma porquinha agora. Mas lembro a sensação de liberdade que tive uma vez numa viagem à Grécia. Sozinha. Dormi e perdi a hora. O navio já atracado no porto da ilha, todos já tinham desci...[continuar lendo]

28.09.2015 / Crônicas
26.09.2015 / Crônicas

Escondidos debaixo do lençol, que cortava a luz direta do sol, nós ríamos muito quando eu falei, enquanto tomava fôlego entre uma gargalhada e outra: "Filho, eu adoro você!”. Ele me olhou, meio confuso, meio curioso, com cara de descoberta, e repetiu: “A-do-ro. Adoro cabana!” Eu ri e mandei um áudio do WhatsApp para o pai da criança. “Foi muito lindo, ele nunca tinha ouvido falar em ‘adoro’, só você vendo”. Aquela expressão no olhar do menino marcou meu início de dia. Como em outras descobertas que ele me proporciona alegria, essa em especial mexeu comigo, pois foi...[continuar lendo]

26.09.2015 / Crônicas

Despediram-se corriqueiramente. Não sabia quando voltaria a vê-la. Estava uma brisa leve e seguiu andando firmemente, como se aquela brisa aplacasse a quentura do seu rosto, emocionado com aquele adeus. Sempre faziam assim, a pedido de uma delas, há muito tempo atrás. Querendo ser leve, odiava despedidas, por isso não queria botar peso quando elas aconteciam. “Tchau, tchau!”, disse, fechando o portão do edifício. A outra olhou pra trás, nunca conseguia simplesmente partir. “Você vai amanhã?” “Segunda”, respondeu. “Ah, tá. Boa vida!”, desejou, querendo dizer viag...[continuar lendo]

26.09.2015 / Crônicas

Voltando do almoço, os dois se perderam na mesma imagem: no meio-fio, estavam um senhor e uma moça. Ele, morador de rua, bem sujo, roupas escuras, aparência de abandono. Ela arrumada, cabelos longos, entusiasmada. Conversava com ele de igual para igual. Seria uma assistente social? Pensaram que sim, e se não fosse seria tão belo quanto, pois dedicava-se a ouvi-lo e a dar conselhos. Por doação. Parecia se importar com o que dizia. Andando pelas ruas da Lapa de dia, olhamos a Catedral Metropolitana ao fundo, entre as ruas apertadas. Bonita. Turística. Como quando, na Itália, saímos ...[continuar lendo]